sexta-feira, 19 de agosto de 2016


com
 Denise Weinberg, Henrique Schafer, Alejandra Sampaio,
Virgínia Buckowski, Kiko Marques, Marcelo Diaz, 
      Willians Mezzacapa, Marcelo Marothy e Valmir Sant’anna
Estreia dia 20 de Agosto
Novo projeto da Velha Companhia faz curta temporada no Espaço dos Fofos
Durante dois anos, os artistas da Velha Companhia ficaram imersos numa pesquisa que deu origem ao novo texto de Kiko Marques (ganhador dos prêmios Shell, APCA, Aplauso Brasil e Qualidade Brasil pelo espetáculo CAIS ou Da Indiferença das Embarcações).
Com o apoio do 24º Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo e do Instituto Cultural Capobianco, puderam realizar um vasto ciclo de palestras, pesquisa histórica e improvisações cênicas em cima dos temas, Transgeneridade e Ditadura.
Num tempo de imposições, Vicente, um músico clássico esperado por sua mãe como menina, sente compaixão. 
A companhia convidou a atriz Denise Weinberg, para assumir a mãe de Vicente, e para participar de toda a pesquisa do projeto Sínthia ao longo desses dois anos. O ator Henrique Schafer pela primeira vez trabalha com a companhia e faz o papel do pai de Vicente, interpretado por Marques. Diversas pessoas contribuíram de maneira fundamental no processo, realizando palestras e levando importante referência histórica e pessoal, como Amelinha Teles, a dramaturga Jo Clifford, os professores Maurício Cardoso e Marco Napolitano, o pesquisador Ricardo Cardoso, entre outros.
Sínthia tem origem numa experiência pessoal. Nasci em 31 de março de 1965, um ano exato após o golpe que depôs o presidente João Goulart, mergulhando o país numa ditadura. Meu pai era oficial da PM do Rio de Janeiro na época. Minha mãe teve dois irmãos homens e dois filhos também homens antes de mim. Muito por isso fui esperado por ela como menina. A partir do mote de uma mulher encarcerada num mundo machista, do paradigma da repressão como forma de amor, e da questão da identidade de gênero, resolvi criar uma obra que falasse de compaixão. A peça conta as histórias de Maria aparecida e seu caçula Vicente, desde seu nascimento em 1968 até o natal de 2013 quando chega para a ceia vestido como Sínthia, nome que teria se tivesse nascido menina. Fala de uma transformação necessária  e ininteligível como tudo o que é necessário, e sobre a incapacidade de aceitar aquilo que não se possui. “Matamos aquilo que não entendemos.” Escrita em 2014, a obra mais do que nunca se mostra atual  e necessária pela maneira como a intolerância alicerçada em certezas e interesses, vem se tornando o modo principal de nos relacionar tanto no campo pessoal como social”.
                                                                                      Kiko Marques

Sobre a Companhia
Velha Companhia surgiu em 2003 em São Paulo. Foi formada por Kiko Marques, Alejandra Sampaio e Virgínia Buckowski. Desde então, sua pesquisa continuada, com enfoque numa dramaturgia que nasce de um processo colaborativo, bem como montagens de textos que dialogam com essa pesquisa, gerou os seguintes espetáculos: Valéria e Os Pássaros, de José Sanchis Sinisterra (2015) Cais ou Da Indiferença das Embarcações (2012/13/14/15/16), O Travesseiro (2011/10/09), Ay, Carmela! (2011/10/09/08), Crepúsculo (2006/05) e Brinquedos Quebrados (2004/03).

Sobre os espetáculos da Companhia
Valéria e Os Pássaros de José Sanchis Sinisterra
Indicado ao Prêmio de melhor atriz no APCA 2015.
Indicado ao Prêmio Aplauso Brasil como melhor espetáculo de grupo de 2015.

Cais ou Da Indiferença das Embarcações de Kiko Marques
Prêmio de Melhor Autor (kiko Marques) de 2013 no APCA, Shell e Aplauso Brasil.
Prêmio de Melhor Diretor (Kiko Marques) no Prêmio Qualidade Brasil.

O Travesseiro (poema nº1 para a criança) de Kiko Marques
Prêmio Ana Maria Machado – CEPETIN – RJ (Textos Inéditos)
PROAC SP 2008 (Edital de Produções Inéditas)
Indicações ao Prêmio Femsa SP (atriz, ator, cenógrafa e iluminador).
Prêmio Myriam Muniz FUNARTE 2010 – Circulação
Prêmio Zilca Sallaberry 2011 RJ (Indicação de melhor texto, atriz e Iluminação)

Ay, Carmela! de José Sanchis Sinisterra
Mostra do Instituto Cultural Capobianco SP
Edital Caixa Econômica Federal.
Projeto Circuito Cultural Paulista da Secretaria de Cultura de SP
Prêmio Qualidade Brasil 2007 de Melhor Atriz e (indicação na categoria melhor ator).
Prêmio de Melhor Ator no Festival Nacional de Americana 2007 e (indicação de melhor atriz).
Parceira da Mostra 70 Anos Sinisterra, realizada em São Paulo com Instituto Cultural Capobianco, Instituto Cervantes e Memorial da América Latina

Crepúsculo de Kiko Marques
Prêmio Myriam Muniz FUNARTE- 2006, com o Projeto “Reminiscências ou Resgate da Tradição Oral”, composto por quatro frentes: 1) apresentações do espetáculo; 2) trabalho artístico social em asilos de São Paulo que resultou num sarau na Vila Maria Zélia, com a presença de todos os moradores dos asilos apresentando suas atividades resultantes da vivência; 3) debates com enfoque na terceira idade aberto ao público,  mediados por Gilberto Dimenstein, Stepan Nercessian, entre outros, na sala Crisantempo; 4) confecção de um texto de dramaturgia própria intitulado Cais ou da Indiferença das Embarcações. 

Brinquedos Quebrados de Kiko Marques
Destinado ao público jovem, foi eleito um dos cinco melhores espetáculos do ano de 2003 pelo Portal IG.

Ficha Técnica

Autoria e Direção: Kiko Marques
Elenco:
Denise Weinberg (Maria Aparecida)
Henrique Schafer (Luiz Mário)
Alejandra Sampaio (Maria Aparecida)
Virgínia Buckowski (Nôra e Ana)
Kiko Marques (Vicente)
Marcelo Diaz (Ico, músico e médico)
Willians Mezzacapa (Cezinha, músico e carcereiro)
Marcelo Marothy (Luizinho, músico e paisano)
Valmir Sant’anna (Conrado e funcionário IML)
Diretora de Produção: Patricia Gordo
Cenografia: Chris Aizner
Desenho de Luz: Marisa Bentivegna
Figurinos: Fábio Namatame
Direção Musical e Trilha Original: Tadeu Mallaman
Preparação e Desenho de Movimento: Fabrício Licursi
Consultora Vocal: Fernanda Maia
Assistente de Direção: Mateus Menezes
Consultor Histórico: Ricardo Cardoso
Consultor Artístico: Bruno Menegatti
Assistente no processo dramatúrgico: Cristina Cavalcanti
Colaboradores do processo dramatúrgico: Marcelo Laham e Maurício de Barros
Preparadora Corporal do processo dramatúrgico: Inês Aranha
Colaboradora de Iluminação do processo dramatúrgico: Carolina Veiga
Fotografia: Lenise Pinheiro
Assessoria de Imprensa: Morente Forte
Design Gráfico: Fabrício Santos
Assistente de Produção: Lívia Ziotti
Diretor de Palco: Fábio Mráz
Assistente de Figurino: Juliano Lopes
Assistente de Iluminação e Operador de Luz: Jean Marcel
Operadora de Som: Carol Andrade
Cenotécnico: Mateus Fiorentino

Quarteto de Cordas: Violino (Mica Marcondes), Violino (Alice Bevilaqua), Viola (Elisa Monteiro) e Cello (Vana Bock)
Técnico de gravação e mixagem: Gabriel Spazziani
Produtor Técnico do Estúdio: Ricardo Martins
Piano: Jonas Dantas
Consultoria Musical: Fernando Martin
Palestrantes da Pesquisa: Jo Clifford, Marcos Napolitano, Maurício Cardoso, Amelinha Teles, Mariana Rosell, Cecília Heredia e Ricardo Cardoso
Produção Geral: Velha Companhia

Serviço

SÍNTHIA
Espaço dos Fofos (54 lugares)
Rua Adoniran Barbosa, 151, Bela Vista
Informações: 3101.6640
Sábados, Domingos e Segundas às 20h
 Ingressos:
R$ 20
Já a venda no site www.sympla.com.br/sinthia
ou a partir de 20 de Agosto na bilheteria do teatro

Duração: 165 minutos

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Valéria e Os Pássaros













Valéria e Os Pássaros e os Poetas do Cotidiano



Valéria e Os Pássaros

2015 partindo,deixa muitos elos, cumplicidade, portas por abrir, gratidão à companheiros incansáveis em todas as frentes (criação, produção, divulgação, montagem, companheiros do dia-a-dia...)

2015 partindo leva nosso Portella,que era Telmo, Sargento Evilázio, Wernec...Walter Portella, que era um Homem de Teatro e Só...


Que será sempre uma inspiração em nossos encontros com o Público.

E para o caso específico, o febricitante dizer de GARCÍA LORCA, evocado na última função de nosso artista:

“O teatro é um dos mais expressivos e úteis instrumentos para a edificação de um país e o barómetro que marca a sua grandeza ou a sua decadência (…) Um povo que não ajuda e não fomenta o seu teatro, se não está morto, está moribundo; como o teatro que não recolhe a pulsação social, a pulsação histórica, o drama das suas gentes e a cor genuína da sua paisagem e do seu espírito, com riso ou com lágrimas, não tem o direito de chamar-se teatro, mas sala de jogo ou sítio para essa coisa horrível que se chama matar o tempo.”


https://mail.google.com/mail/u/0/#search/ficha+t%C3%A9cnica+val%C3%A9ria-e-os-p%C3%A1ssaros/14de1245f350c1a3?projector=1

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

UM NOME


1963. Cena dupla. No painel rosa, Aparecida jovem na maca; no painel azul, Sem Nome numa cadeira ginecológica. Com Aparecida, um médico e equipe; com Sem Nome, o Paisano e, às vezes um funcionário que aparece pra ajudar.



(Painel azul)

Paisano –
Um nome!

(Silêncio de Sem Nome. O paisano começa a imobilizá-la na cadeira ginecológica. Apesar do pânico, ela mantém a dignidade e não opõe resistência)



(Painel Rosa)

Médico –
Calma. Somente respire. Vai dar tudo certo.

Maria Aparecida –
Mas tá doendo muito.

Médico –
Dói mesmo. A senhora precisa ser forte. É o primeiro filho?

Maria Aparecida –
O quarto. E eu sei o quanto dói, aonde dói. Não me venha o senhor falar que é normal.

Médico –
Vai dar tudo certo. É só respirar. Respire forte.

(Aparecida começa a gritar em espasmos de dor)



(Painel azul)

Paisano –
Um nome.

(Silêncio de Sem Nome. O paisano começa a ligar os fios do choque elétrico)


Paisano –
Um nome!

(Silêncio de Sem Nome)



(Painel Rosa)

 Médico –



Vai dar tudo certo. Ele só está com um pouco de dificuldade de sair.


Maria Aparecida –
Ela.

Médico –
Ah, a senhora quer uma menina?

Maria Aparecida –
É menina, eu sei. É uma...

Médico –
Com certeza, calma. Respire forte, por favor.

Maria Aparecida (num sopro)
A minha menina.

Médico –
Já vamos tirar já essa menininha preguiçosa daí de dentro, ok?


  
(Painel azul)

Paisano –
Um nome!

(Silêncio. Começa a descarga. A princípio a mulher se controla. Logo começa a gritar um grito incomum. Aparecida grita junto.)

Paisano –
Um nome!


(Painel Rosa)

Médico –
Mudança de procedimento. Anestesia. Vamos fazer uma cesariana.

(Confusão de médicos e enfermeiros em torno de Maria Aparecida)

  

(Painel azul)

Paisano –
O nome!

(Silêncio de Sem Nome)



(Painel Rosa)

Médico –
Calma, dona Aparecida. Vai dar tudo certo. Essa dor é devido a uma
pequena complicação com a posição do feto. Coisa a toa. Nós vamos fazer uma
cesariana, ok? A sua menininha vai nascer bem.

Maria Aparecida –
Mas tá tudo bem, doutor, tá...?

Médico –
Tudo, não precisa se... (Pra um enfermeiro) mantém a pressão aqui.



(Painel azul)

Paisano –
O nome!



(Painel Rosa)

Médico –
Agora a senhora vai sentir um soninho. É normal. Pensa nela, pensa nela
que vai dar tudo (estão aplicando a anestesia).

Maria Aparecida –
A minha menina... Cíntia.

Médico –
Cíntia. É um lindo nome pra uma menina. Cíntia.



(Painel azul)

Paisano –
O nome!



(Painel Rosa)

Maria Aparecida –
Cíntia...

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

PRÓLOGO

Em pleno processo de escrita, Kiko Marques nos brinda com o primeiro ato da peça. Uma obra prima que fez quem ouviu chorar, se emocionar, se envolver com esses personagens que foram nascendo ali, na nossa frente. Foi uma trajetória intensa, riquíssima, onde corpos e almas se expunham para falar de família, dor, perda, morte, ditadura. Transformador. Avassalador.

Aos poucos vamos colocando aqui pequenos trechos da peça, para compartilhar um pouco dessa nova fase.


PRÓLOGO

Essa não é uma história real. O passaporte para ela me foi dado com esse pressuposto. Não conheço a realidade. Nunca soube definir-lhe os contornos. Jamais me proporia tarefa de retratá-la. Não obstante
não ser real, tudo nela se inspira em uma história que conheço bem. Por isso me abstive de escrevê-la. Não seria possível. Contratei uma mulher, uma profissional. Que a escreveu pra mim. Nem cheguei a conhecê-la. Apenas contratei-a. De aqui de onde estou, imagino a curiosidade que possa surgir em relação a essa mulher. Quem é, onde vive e o que mais faz, além de emprestar seu talento a quem não o possa ou não o tenha são perguntas que não posso responder. Em parte porque não sei. Em parte por conta do silêncio que se impôs. Anterior à mulher. Silêncio. Como uma natureza e uma ilha e um luto antecipado das guerras. O deus que rege as palavras dessa mulher não depõe usurpadores. O que faz é implacavelmente e incansavelmente iluminar-lhes os limites quando lhes expõe a feiura. Suas fraturas. Femininos espelhos. Atributos. Do poder que emana dos vislumbres dessa mulher.

KIKO MARQUES

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

  
    O teatro é uma arte comunitária. Esse é o desafio ao homem que somos, espelhados no autocentrismo hedonista das imagens que o mundo vertiginosamente projeta. Nossa dificuldade e prazer vem de aprender o conciliar, o partilhar, o dividir. O abrir mão de opiniões, do bem que impingimos ao outro, da certeza e da noção de verdade com a qual bombardeamos cidades, humilhamos equívocos. A criação clama sempre por ultrapassar o limite das companhias, dos espaços. É só saber ouvi-la. É  comunitária, mas  fundamenta-se no indivíduo, no poder de sua loucura/divindade. É do recôndito desse estado, desse ser que nos habita, que abrimos nossa casa rechaçando usurpadores e curvando-nos aos visitantes, anjos do conhecimento. Somos todos responsabilidade de todos. Essa é a maior e mais esquecida vocação de nosso ofício.

    kiko Marques

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

para CÉLIA CARDOSO MARQUES

Encerramos essa etapa das improvisações com cenas deslumbrantes. Esse processo tem sido muito intenso e muito transformador para todos, desde os atores e criadores, até os colaboradores. Cada cena é um espetáculo à parte. Importantíssimos nessas construções são o som e a luz, delicadamente criados especialmente a cada improviso por Tadeu Mallaman e Caroline Veiga. Aqui as fotos da última cena, à mesa, arrebatadora.










quarta-feira, 24 de setembro de 2014

PALESTRA SOBRE DIONISUS

Recebemos Guilherme Kwasinski para falar sobre Dionisus. Guilherme é psicanalista e um apaixonado por mitologia. Foi um lindo encontro!